Mostrar músicas ainda não finalizadas e cheias de imperfeição é uma coisa questionável. Eu mesmo me questionei antes de começar a fazer isso. Estou indo na contramão das "regras do jogo" em que tudo é meticulosamente (pra não dizer maquiavelicamente) planejado, estruturado, tratado, corrigido. Músicas sem arestas, produtos fechados. Digamos que a Lady Gaga tem uma "casa de criadores" só pra estudar quais seus próximos passos, roupas, escândalos, polêmicas e músicas (?).
Tenho vontade de abrir o processo por ser uma desconstrução pessoal e um desabafo com o estado das coisas. Cantar e compor já é muita exposição. E muitas dessas canções surgiram como uma expressão tão solitária que o processo de levá-las ao público é longo e denso. Mais exposição, mas não é essa a essência de um trabalho autoral?
Pra que convidá-los só no final?
quinta-feira, 10 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
Selva de Espelhos
Aproveitando o suspiro carnavalesco e a cidade vazia, liguei o amplificador e cheguei perto da forma final dessa canção. Aqui vai um primeiro video, de celular, com a imprecisão e a pureza de um recém-nascido.
Há uma fera na selva
que precisa sair
tem algo feio enterrado
dentro de mim
essa é a resposta tardia pra sua falta de tato
esse é meu estômago ferido por ser enganado
por sua fotocópia
sua fotocópia de declaração de amor
sua fotocópia de declaração de amor
eu sou o cisne negro
que te sorri por trás do espelho
seu tumor maligno
dos seus amores mal vividos
eu sou a sombra triste
eu sou a assombração do seu filme de terror
sua fotocópia de declaração de amor
sua fotocópia de declaração de amor
eu sou a carapuça
que hoje você usa
eu vou abrir a jaula
minha voz você não cala...
com sua fotocópia
de declaração de amor
Há uma fera na selva
que precisa sair
tem algo feio enterrado
dentro de mim
essa é a resposta tardia pra sua falta de tato
esse é meu estômago ferido por ser enganado
por sua fotocópia
sua fotocópia de declaração de amor
sua fotocópia de declaração de amor
eu sou o cisne negro
que te sorri por trás do espelho
seu tumor maligno
dos seus amores mal vividos
eu sou a sombra triste
eu sou a assombração do seu filme de terror
sua fotocópia de declaração de amor
sua fotocópia de declaração de amor
eu sou a carapuça
que hoje você usa
eu vou abrir a jaula
minha voz você não cala...
com sua fotocópia
de declaração de amor
domingo, 27 de fevereiro de 2011
pause
Escrevo esse post no metro após uma filmagem no cemiterio e antes de uma apresentação na rua. Graças à chuva ganhei um respiro. Workaholic? Sim, mas se quer construir sua carreira com arte no brasil, pelo menos por um bom tempo, não há muita escolha. Talvez um berço de ouro ou vender a sua criatividade pra publicidade...
Eu que me encaixo no perfil, vivo a sensação continua de emendar, sobrepor e alternar um projeto no outro. Coisa de louco, uma industria cultural introjetada bem distante da boa vida de ócio imaginada aos artistas. E são paulo, com seu ritmo frenético, sua dissonância com o tempo natural e seu variado cardápio cultural é um perfeito cenário pra esse frenesi real.
Comecei uma música-desabafo que ainda ganhará muitos verbos. espero ter tempo para cantar, gravar e para terminar...
Levo a vida ligado no 220
Esperando chegar o momento seguinte
Tentando ultrapassar o meu proprio limite
Não posso parar
Não posso mudar
Cada instante que eu paro está me faltando ar
Eu que me encaixo no perfil, vivo a sensação continua de emendar, sobrepor e alternar um projeto no outro. Coisa de louco, uma industria cultural introjetada bem distante da boa vida de ócio imaginada aos artistas. E são paulo, com seu ritmo frenético, sua dissonância com o tempo natural e seu variado cardápio cultural é um perfeito cenário pra esse frenesi real.
Comecei uma música-desabafo que ainda ganhará muitos verbos. espero ter tempo para cantar, gravar e para terminar...
Levo a vida ligado no 220
Esperando chegar o momento seguinte
Tentando ultrapassar o meu proprio limite
Não posso parar
Não posso mudar
Cada instante que eu paro está me faltando ar
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Um anjo negro dançando no escuro
Misturando duas grandes obras no título posso começar a falar de outro filme do Daren Aronofsky, o polêmico CISNE NEGRO. Ele nem era um dos diretores que mais me interessavam, teve filmes inclusive que parei no meio. Mas nesse recém-nascido blog é a segunda menção a um filme dele. Também porque ele volta a alguns temas de "O Lutador" como a mescla entre vida e palco, fracasso/ sucesso, realização e morte. Mas esse filme tem algo de muito mais perturbador. Ele leva o espectador aos limites de um jogo de sombras, a tal ponto de rachar a plateia. Porque muitas pessoas simplesmente não se deixam levar pelos delirios imagéticos, pelo peso assumidamente barroco da narrativa e rejeitam o filme. Mas essa ousadia de se propor nitidamente aventuras estéticas, de sair do lugar comum, de aceitar tanto a vaia quanto o aplauso é maravilhosa.
Me lembra o tour de force de "Dançando no Escuro", pra mim uma obra-prima em todos os quesitos. Tem o efeito do teatro desagradável de Nelson Rodrigues, suas peças míticas que chegaram a levar gigantescas vaias antes de se tornarem clássicos.
Há muito tempo não sai do cinema tão provocado. Pela força das imagens, pelos abusos kitsch da direção de arte e pela liberdade de encarar as vísceras de uma história de balé já tão batida. Ele mistura a maldição do "Lago dos Cisnes" com a vida da bailarina-princesa. Um arquétipo poderosíssimo da busca anoréxica pela perfeição dos dias de hoje.
Opondo esse modelo vendido até hoje por todos os lados da mocinha de rosinha, perfeita, magérrima, que se encaixa em vestes para desempenhar como uma máquina suas partituras com outro arquétipo muito comum: a femme fatale. Aquela que faz tudo pra conseguir o que quer e usa o sexo pra manipular e conseguir poder.
Nenhuma novidade?
Mas esses vampiros andam a solta, buscando papel principal de diretores consagrados, capas de caderno de cultura, programas de tv, já vi milhares com os mais diferentes disfarces... Não vê quem não quer. Ou quem ainda não quebrou sua redoma de princesa. E o filme resolve escancarar isso de modo expressionista. Aos limites do suportável e nisso ele faz uma dramaturgia simbólica e sentimental. O que guia as ações não são simples causa e efeito, mas a atmosfera sufocante dessa competição desenfreada, dessa busca violenta por um lugar ao sol artificial de um palco vazio.
Bem, já tinha uma letra que ando trabalhando e que vai bem por ai. Voltei do cinema, embrulhado por uma infecção alimentar que me derrubaria alguns dias e fui trabalhar na música.
Você sempre quer o sucesso
faz de tudo pelo sucesso
você faz sexo, perde o nexo,
você faz tudo pra dar certo
tem uma fera na selva que precisa sair
tem algo enterrado
roendo dentro de mim
essa é a resposta tardia ao seu teatro sem palco
este é meu estômago ferido por ser enganado por
sua fotocópia
de declaração de amor
sou o cisne negro
que sorri por trás do espelho
sou um tumor maligno
de seus amores mal-vividos
sou a sombra triste
sou a assombração do seu filme de terror
sou a carapuça
que foi feita sob medida pra
sua fotocópia
de declaração de amor
obs: Quanto ao final do filme, uma pessoa que fez uma figura como Berlam cantar "Morte no Palco" acho que deve ter gostado bastante...
Me lembra o tour de force de "Dançando no Escuro", pra mim uma obra-prima em todos os quesitos. Tem o efeito do teatro desagradável de Nelson Rodrigues, suas peças míticas que chegaram a levar gigantescas vaias antes de se tornarem clássicos.
Há muito tempo não sai do cinema tão provocado. Pela força das imagens, pelos abusos kitsch da direção de arte e pela liberdade de encarar as vísceras de uma história de balé já tão batida. Ele mistura a maldição do "Lago dos Cisnes" com a vida da bailarina-princesa. Um arquétipo poderosíssimo da busca anoréxica pela perfeição dos dias de hoje.
Opondo esse modelo vendido até hoje por todos os lados da mocinha de rosinha, perfeita, magérrima, que se encaixa em vestes para desempenhar como uma máquina suas partituras com outro arquétipo muito comum: a femme fatale. Aquela que faz tudo pra conseguir o que quer e usa o sexo pra manipular e conseguir poder.
Nenhuma novidade?
Mas esses vampiros andam a solta, buscando papel principal de diretores consagrados, capas de caderno de cultura, programas de tv, já vi milhares com os mais diferentes disfarces... Não vê quem não quer. Ou quem ainda não quebrou sua redoma de princesa. E o filme resolve escancarar isso de modo expressionista. Aos limites do suportável e nisso ele faz uma dramaturgia simbólica e sentimental. O que guia as ações não são simples causa e efeito, mas a atmosfera sufocante dessa competição desenfreada, dessa busca violenta por um lugar ao sol artificial de um palco vazio.
Bem, já tinha uma letra que ando trabalhando e que vai bem por ai. Voltei do cinema, embrulhado por uma infecção alimentar que me derrubaria alguns dias e fui trabalhar na música.
Você sempre quer o sucesso
faz de tudo pelo sucesso
você faz sexo, perde o nexo,
você faz tudo pra dar certo
tem uma fera na selva que precisa sair
tem algo enterrado
roendo dentro de mim
essa é a resposta tardia ao seu teatro sem palco
este é meu estômago ferido por ser enganado por
sua fotocópia
de declaração de amor
sou o cisne negro
que sorri por trás do espelho
sou um tumor maligno
de seus amores mal-vividos
sou a sombra triste
sou a assombração do seu filme de terror
sou a carapuça
que foi feita sob medida pra
sua fotocópia
de declaração de amor
obs: Quanto ao final do filme, uma pessoa que fez uma figura como Berlam cantar "Morte no Palco" acho que deve ter gostado bastante...
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Como os nossos pais
Uma coisa típica desse "era" pós-moderna (isso é uma era, ou apenas um hiato no tempo?) é o excesso de referências. Tudo vem descrito através de referências. Como se propostas estéticas só fossem válidas se alguém já tivesse feito antes. Olhem que curiosa inversão de valores... Qualquer release e matéria desfila comparações com artistas consagrados. Como se estivessemos em uma daquelas reuniões publicitárias em que se escolhe que cara vai ter o produto através de outros produtos de sucesso. E não estamos?
É claro que compor é um processo dificílimo, e a música tem padrões repetidos desde que o mundo é mundo. É inevitável que vc repita algum padrão, mesmo involuntariamente. Mas muitas vezes eu ouço músicas como se elas fossem uma versão de uma música já feita. Como fazem em campanhas de publicidade mesmo.
A diferença é que a repetição muitas vezes prima pelo efeito e peca pelo conteúdo. Uma coisa é soar como Johny Cash em um estudio. Outra é ter o efeito sendo criado. Comprei recentemente o disco ao vivo dele na cadeia "at Folsom´s Prison" e é muito provocador. Os que hoje representam um clássico, já foram vanguarda. E agora soamos como clássicos.
A banda mais incensada atualmente é... Beatles. Que já acabaram há mais de 3 décadas.
Bom sinal de que a boa música permanece? Sim. Mas mal sinal de que a música não tem se reinventado muito. Os Beatles já estiveram no auge em seu tempo, falando de seu tempo. John Lennon e seus afiados discursos que o digam.
Citando, quem diria (!), uma capa da veja, vivemos em tempos bons moços. Ou de lobos disfarçados de cordeiros, de novas madonnas e velhos heróis cristianizados. Quem ousa romper com a nossa recente tradição de Caetano, Roberto, Chico ou Bob Dylan, Lennon, Stones?
Nossos heróis são nossos pais. E a música que eles fizeram e eles ouviram.
Já eles, pra ser quem são, desobedeceram bastante os deles.
É claro que compor é um processo dificílimo, e a música tem padrões repetidos desde que o mundo é mundo. É inevitável que vc repita algum padrão, mesmo involuntariamente. Mas muitas vezes eu ouço músicas como se elas fossem uma versão de uma música já feita. Como fazem em campanhas de publicidade mesmo.
A diferença é que a repetição muitas vezes prima pelo efeito e peca pelo conteúdo. Uma coisa é soar como Johny Cash em um estudio. Outra é ter o efeito sendo criado. Comprei recentemente o disco ao vivo dele na cadeia "at Folsom´s Prison" e é muito provocador. Os que hoje representam um clássico, já foram vanguarda. E agora soamos como clássicos.
A banda mais incensada atualmente é... Beatles. Que já acabaram há mais de 3 décadas.
Bom sinal de que a boa música permanece? Sim. Mas mal sinal de que a música não tem se reinventado muito. Os Beatles já estiveram no auge em seu tempo, falando de seu tempo. John Lennon e seus afiados discursos que o digam.
Citando, quem diria (!), uma capa da veja, vivemos em tempos bons moços. Ou de lobos disfarçados de cordeiros, de novas madonnas e velhos heróis cristianizados. Quem ousa romper com a nossa recente tradição de Caetano, Roberto, Chico ou Bob Dylan, Lennon, Stones?
Nossos heróis são nossos pais. E a música que eles fizeram e eles ouviram.
Já eles, pra ser quem são, desobedeceram bastante os deles.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
God save the King
Este "exército de um homem só" segue seu propósito de ser uma forma sincera e direta de criação, produção e reflexão. Em tempos de falência das gravadoras, vivemos a apologia ao 'low profile'. Como se os artistas por ai fossem "pérolas" brutas, puras a serem espontaneamente reveladas. Sem ingenuidade, a internet é uma grande rede de interesses e destaques planejados. Diz isso uma pessoa que já teve programa em um portal e sabe como se fazem 100 mil views em um mês. A diferença que um banner no myspace ou no youtube faz é gigantesca. A diferença de uma "invisível" assessoria de imprensa é enorme.
E me parece que ingenuidade é o que mais andamos perdendo por ai. Os artistas tem introjetado em si mesmo os departamentos de marketing, a assessoria e relações publicas das majors. Se antes um artista mainstream da MPB podia se enforcar em excessos enquanto a gravadora cumpria seu trabalho, hoje estamos - de maneira mais madura - órfãos. Mas isso inclui uma busca mais ávida por relações políticas no sentido negativo da palavra dentro circuito musical.
O que isso gera em termos artísticos é uma certa anemia. Mesmo com uma multiplicidade de novos talentos e propostas, parece que a necessidade de estar cumprindo todas as funções ao mesmo tempo acaba por tornar a arte de nosso tempo mais receosa, melancólica e apegada a referências.
É muito simbólico que Roberto Carlos tenha se tornado praticamente uma unanimidade nos dias de hoje. De inimigo da esquerda dos anos 60, a vedete de especial de natal da rede globo (quer coisa mais conservadora que isso?) ele simboliza o artista que não fez concessões pra chegar ao mainstream.
Em termos políticos, estéticos e práticos.
Sua habilidade pra compor músicas intimistas nublou a mediocridade de seu vicio automotivo (metade de seu disco acústico são apologias ao carro), sua nulidade política, sua adesão completa ao que existe de mais cafona e conservador na televisão brasileira.
Os heróis de hoje não morreram de overdose, mas estão no poder, no especial da globo. Como se a ausência de gravadoras onipotentes tivesse despertado um instinto de sobrevivência em que a rebeldia e o aspecto provocador sejam um empecílio.
Buscando o primeiro lugar nos milhares de rankings que se multiplicam.
transformando um pouco disso em letra:
Está na regra desse jogo
escorre da boca do povo
É cada um por si ao fim
e você deve aproveitar do outro
discurso sem recheio
pra ver quem vai primeiro
sorriso até o meio da boca
nossa vida está em jogo
E me parece que ingenuidade é o que mais andamos perdendo por ai. Os artistas tem introjetado em si mesmo os departamentos de marketing, a assessoria e relações publicas das majors. Se antes um artista mainstream da MPB podia se enforcar em excessos enquanto a gravadora cumpria seu trabalho, hoje estamos - de maneira mais madura - órfãos. Mas isso inclui uma busca mais ávida por relações políticas no sentido negativo da palavra dentro circuito musical.
O que isso gera em termos artísticos é uma certa anemia. Mesmo com uma multiplicidade de novos talentos e propostas, parece que a necessidade de estar cumprindo todas as funções ao mesmo tempo acaba por tornar a arte de nosso tempo mais receosa, melancólica e apegada a referências.
É muito simbólico que Roberto Carlos tenha se tornado praticamente uma unanimidade nos dias de hoje. De inimigo da esquerda dos anos 60, a vedete de especial de natal da rede globo (quer coisa mais conservadora que isso?) ele simboliza o artista que não fez concessões pra chegar ao mainstream.
Em termos políticos, estéticos e práticos.
Sua habilidade pra compor músicas intimistas nublou a mediocridade de seu vicio automotivo (metade de seu disco acústico são apologias ao carro), sua nulidade política, sua adesão completa ao que existe de mais cafona e conservador na televisão brasileira.
Os heróis de hoje não morreram de overdose, mas estão no poder, no especial da globo. Como se a ausência de gravadoras onipotentes tivesse despertado um instinto de sobrevivência em que a rebeldia e o aspecto provocador sejam um empecílio.
Buscando o primeiro lugar nos milhares de rankings que se multiplicam.
transformando um pouco disso em letra:
Está na regra desse jogo
escorre da boca do povo
É cada um por si ao fim
e você deve aproveitar do outro
discurso sem recheio
pra ver quem vai primeiro
sorriso até o meio da boca
nossa vida está em jogo
Assinar:
Postagens (Atom)
